Corrida das Estações Adidas

Participação de quase todos os atletas da Stark.

Destaque 02

Texto para o destaque 02

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Porque a "Corrida da Fé"

Edgy com o Vigário de Canindé
Muitos indagam o verdadeiro motivo desta corrida. A resposta vem com outra pergunta. Por que os poetas fazem romances? Por que os músicos compõem melodias? O escritor acha sua inspiração no idealismo de contos de fada. O compositor externa o amor através da música. Para o corredor, basta ter uma Largada e um Chegada. Sua inspiração está baseada em superar seus limites. O suor, a fadiga, o cansaço fazem parte deste momento. Toda Largada é composta de "objetivos" e de "desafios". A corrida exige do corpo esforços que podem chegar a limites extremos, que são importantes na vida do corredor, pois é através deste limiar que se consegue estabelecer sonhos. A recompensa atinge o ápica, no momento em que o último passo ultrapassa a Chegada.

O percurso de Canindé tem vários anos de caminhada, o qual fazemos religiosamente no mês de Outubro. Normalmente, levamos 96 horas (quatro dias), com paradas programadas até a Basílica de São Pedro. Nos últimos três anos, este percurso foi reduzido para 36 horas de caminhada. O desafio, desta vez, é fazer o mesmo percurso em 15 horas. A corrida terá uma distância de 102km, que necessitará de uma preparação específica e muita Fé n'Ele, que, durante todos o percurso, estará sempre do nosso lado. Será uma corrida, também, de agradecimentos: primeiro, por estarmos todos com boa saúde e, segundo, por estarmos vivendo um momento de graças, pois oramos pela recuperação do pequeno Davi e temos certeza de que Ele esteve presente nas horas mais difíceis da família do Edgy.

Tarcísio Chaves”

Bom, ao ler o folder, estando meio sem preparo físico, e faltando somente um pouco mais de um mês, conversei com a Luciana e decidimos juntos que eu iria participar. Este foi o primeiro passo que eu dei. Agora faltava definir o "como" participar? Que distância percorrer? Que preparação eu teria que fazer? Antes de mais nada, o segundo passo era voltar a treinar. Comecei a treinar com a turma novamente, principalmente nos sábados, e consegui a façanha de sair de um treino máximo de 12km (que eu tinha feito nos três últimos meses) para correr 28km de Fortaleza até Aquiraz. Ao concluir este treino que foi feito junto com os amigos Tarcísio (que ainda iria voltar para Fortaleza para completar os 50km), Wander, Claudener e Haron voltei a ter confiança e defini meu objetivo. A Luciana teve um apoio fundamental nesta fase, pois ainda tinhamos alguns cuidados a ter com o Davi (remédios, etc.) e ainda precisava ter algum tempo para treinar. Mesmo achando meio loucura esta ida para Canindé, ela sempre deu um jeitinho para que eu pudesse fazer os longões. Valeu Lu!

Depois que completei minha primeira maratona em 2008 (Chicago), imaginei que poderia correr uma maratona por ano nos anos seguinte, já havia completado a maratona de Porto Alegre em 2009 e estava programado para correr a Maratona do Rio em 2010, porém o problema de saúde do Davi me fez desistir da Maratona do Rio. Daí pensei, poxa, se não deu para correr no Rio e agora o Davi está bem, por que não corro a minha maratona na Corrida da Fé? A minha decisão foi de correr uma maratona completa no inicio do percurso e uma meia maratona no final do percurso. Seria o equivalente a uma prova que tem na Disney que se chama de "desafio do pateta", que a pessoa corre a meia no sábado e a maratona no domingo. Eu iria fazer exatamente o contrário, correr a maratona (42km) e depois a meia-maratona (21km) cerca de 5 a 6 horas depois. Segundo o meu amigo Zivaldo seria o “desafio do babaca” J.

Tinha em mente que não estava preparado para correr 102km, e que ia ser muito difícil completar o meu objetivo, até porque não tive a tempo suficiente para treinar o que seria devido para realizar este objetivo.

Chegamos na Polícia Rodoviária às 15h e esperamos o resto do grupo e, quando todos chegaram, começamos a nos organizar para a partida. Everton começou um super alongamento, e após o alongamento, fizemos uma grande roda, ficamos de mãos dadas e rezamos um "Pai Nosso".

Que "... seja feita a vossa vontade ...".

Partimos, com os olhos brilhantes, e com a vontade de concretizar este sonho do Tarcísio, que seria correr de Fortaleza para Canindé, e junto com ele, aquele grupo de amigos, de sonhadores, que sabiam que bastava ter uma "Largada" e uma "Chegada".

No nosso grupo, além do Tarcísio, o nosso amigo Fernando Mineiro também iria correr os 102km. O restante iria correr trechos alternados ou então 10km em cada trecho. A decisão do grupo foi que o Tarcísio e o Fernando não irão correr sem ter alguém ao lado deles.

Meus amigos corredores sabem que sou o "pace man" (pessoa que controla a velocidade/ritmo), aquele cara que fica olhando sempre no Garmin (relógio com GPS que informa a velocidade e distância) e informando tudo nos treinos, tá lento, tá rápido, e km 5, km 10... etc. Sendo assim, fui logo convocado para vestir um colete luminoso e manter o time no ritmo.

Luizinho deu a largada, soltando um "rojão" e assim que o barulho ecoou nos nossos ouvidos, cliquei no start do meu relógio e iniciamos a nossa corrida.

Tivemos um apoio sensacional da Polícia Rodoviária que nos acompanhou do Km 0 até o outro posto da polícia (km 37) e nos orientou sobre a questão de segurança na estrada. Nosso amigo Nival esteve na largada e conversou com o pessoal da PRF para nos apoiar. Valeu Nival.

Eu era o "Pace Man", dai comecei, e gritei alto: "kilometro um, seis e quarenta". Corremos a seis minutos e quarenta segundos, que era o pace esperado, depois gritei: "kilometro dois, seis e trinta e três", em seguida, "kilometro três, seis e trinta e três". Nisso a Simone falou que eu iria ficar rouco rapidinho de tanto gritar, afinal de contas eram 100km e não 10km :-).

Disse a ela que não se preocupasse que eu era o "homem do pace" e já estava acostumado. Agora o difícil mesmo, foi controlar o meu amigo Claudener que sempre queria aumentar o ritmo e ultrapassar o carro de apoio que estava na frente. Eu sempre gritava: "Claudener, volta... mais leve...", bom... depois de muita insistência o Claudener começou a obedecer e andar num ritmo mais leve (claro que depois não deu mais para controlar o Claudener e lá estava ele na frente).

Na semana anterior a nossa ida, eu havia lido uma reportagem sobre ultra-maratonista onde comentavam que era muito importante uma caminhada durante o percurso, e definimos que a cada 40 minutos iríamos caminhar 2 minutos. Esta decisão foi fundamental, pois era neste momento que realizávamos toda a hidratação e também a suplementação (gel, capsulas de sódio, etc.). Então além de falar o ritmo, eu tinha que, a cada 40 minutos, gritar: "caminhar". Nisto, o nosso amigo Everton que ficava no apoio ficava correndo de um lado para outro levando água, gatorade, água de coco, etc. para todos. Acho até que ele correu quase uma maratona nestas idas e vindas que foram fundamentais.

Bom, como bom corredor, começamos a comemorar a chegada aos números terminados em zero, lembro bem que quando chegamos ao Km 3, o Enéas comentou que saímos do objetivo de 3 dígitos e agora estamos no objetivo de 2 dígitos (faltavam 99 kilômetros). Quando completamos 10km, o grito foi maior, e chegamos ao nosso primeiro objetivo no km 17 já combinado que iríamos parar 10 minutos (esta decisão foi do Tarcísio naquele momento). Então só deu tempo de comer algo, ir ao banheiro, suplementar mais um pouco e já estávamos novamente na estrada. Neste momento, alguns companheiros ficaram descansando e seguimos em frente. Como havia dito no início, meu objetivo era correr uma maratona (42km).

Chegamos então ao Km 20, e logo depois completamos a meia-maratona, neste momento o grito de "meeeiiiaaa maraaattoooonnaaa" foi bem alto e todos comemoraram. Depois fomos adiante e a cada kilometro eu continuava dizendo o "pace" e também chegamos ao km 30 (“killlooommeeetrrooo trriiiiiinta”). Ao chegar no km 37, já tinhamos todo o apoio montado e paramos agora 15 minutos. O grupo ia voltar a crescer, pois algumas pessoas iriam retornar a corrida. Naquele momento, faltavam somente 5km para mim, para o fabrício (que nunca correu uma maratona na vida), para o Tarcísio e para o Fernando completarem a maratona. Com o retorno de outros corredores, o grupo voltou a crescer e ao chegar no km 40, gritei "kilometro quuuaaarreeenta". Daqui a pouco o Luizinho pega outro "fogo de artifício" e ao completarmos a maratona, ele solta o rojão que ìluminou nossas cabeças e nossa alma (“mmmmmaaaaaraaaaaatoooooooooona”). Eu estava radiante, e como estávamos super bem, decidimos correr um pouco mais.

Teve até uma brincadeira do Fabrício com outro colega que no meio da corrida falou, cara, tu ainda nem correu uma maratona :-), hehehe o Fabrício então resolveu correr uma maratona + 1 km só para brincar com o amigo. Mas como tudo é brincadeira neste grupo, eu resolvi também seguir o conselho do Fabrício, e ai os amigos começaram, poxa, já fizeram 42km, para 50km tá pertinho :-). Hehehehe Acabamos resolvendo correr 50km, eu e o Fabrício (claro que o Tarcísio e o Fernando iriam fazer era os 100km) :-).

Bom, foram mais subidas e descidas (esqueci de comentar, mas o percurso é todo de subida e descida, o que dificulta muito para o corredor) e chegamos ao km 45, entao, gritei: "kiiiilllooommmeetroooo quuuaaareeennntttaaa eeee cccciiiiinnnnccccooo". Eu nunca tinha corrido tanto na minha vida, estava super emocionado. Continuamos correndo a chegamos ao kilômetro 50. Este grito foi super alto: "CIIIIIIIIIIIIIINNNNNNNNNNNNNQQQQQUUUUUEEEEEEEEEEEEEEENNNNNTTAAAAAAAAA!!!".

Era o momento de darmos uma caminhada e eu diria que foi um momento de lucidez meu e do Fabrício de pararmos neste momento, pois a gente não tinha treinado para correr tantos kilômetros.

Apesar de faltar somente 7km para a nova parada, já tinha superado o meu objetivo e o fabrício correu sua primeira maratona, ou poderia dizer ultra-maratona.

Passei o meu relógio para o Tarcísio e disse com a voz firme: "cara, mantém o ritmo, não esquece o tempo para as caminhadas e boa sorte!!!". Neste momento, fomos para o carro de apoio que nos levou até a próxima parada no km57. Eu e o Fabrício chegamos a Campos Belos e nosso amigo Genésio (ex-massagista do Ceará e massagista do grupo) fez uma massagem para destravar todos os nossos músculos. Ao tirar o tenis, apareceu aquele "calinho de estimação" que eu sempre tenho em corrida longa. Segundo o que eu li para resolver o problema do calo em ultra-maratona, deve-se pegar uma seringa com iodo, e injetar iodo dentro do calo (já pensaram na dor). Como não tinhamos iodo, o Genésio apenas disse que estava pequeno e colocou um esparadrapo no local.

Troquei a meia, a blusa e descansei até a chegada do grupo. Pensei que dava para dormir, mas a adrenalina é enorme...

Daqui a pouco o Tarcísio chega e me entrega o relógio, descansa um pouco, e esta parada, que era do jantar, foi um pouco mais demorada. Uma equipe chegou com o jantar de Fortaleza (para variar jantar de massas) e preparou tudo no esquema de "self-service". Estava realmente delicioso o macarrão e o molho que eles preparam, e a coca-cola gelada deu mais forças para continuarmos. Não sei se vocês sabem mas os Atletas que fazem o ironman, tomam coca-cola durante o percurso. Foi o que aconteceu conosco também.

Depois do jantar, saímos para correr e como eu iria correr somente o último percurso, neste momento, somente o Fábio, o Haron, o Tarcísio e o Fernando partiram juntos e o Enéas e a Simone foram de bike. Deixei meu garmin com o Haron e corri até um dos carros de apoio mas como estava lotado, acabei indo no carro de apoio da frente dos corredores junto com o Diogão. O local era meio apertado para quem correu 50km, e o pior, ficar ao lado do Diogão não é nada confortável (vocês devem imaginar o tamanho do Diogão. Brincadeira Diogão). Comecei a acompanhar os corredores dentro do carro mas não conseguia dormir, então eu pensei, acho que vou voltar a correr.

Mudança de planos novamente, sai do carro, e comecei a correr com o grupo e voltar a ser o "pace man" daqui a pouco "kiiilllooommmeeetrrrooo seeeettteeeennntttaaaa", e aqueles momentos de corrida/caminhada. Depois chegamos ao "kiiiilllooommmmmeeetttrrrroooo ooooiiiittteeeennnnttttaaaa" e avistamos a cidade de Caridade. Paramos em Caridade e agora faltavam somente 20km. A Coca-Cola havia acabado e, em Caridade, alguem conseguiu comprar mais Coca-Cola , foi o momento de comermos muita fruta (o Luizim só reclamou direto que tinha comprado um estoque de banana e nada dos corredores comerem bananas), comemos melancia, melão, sandubas, chocolates, biscoitos, etc. e mais Coca-Cola. Já estava quase nascendo o dia quando saímos para o último percurso. A Julyana, que foi fundamental em todo apoio até aquele momento, chegou para o Tarcísio e disse, agora eu vou correr 5km com você. Saímos, eu, Fernando, Tarcísio, Julyana, Wander e Daniel.

Neste momento, meus "calos conhecidos" se multiplicaram (acho que foi um erro ter colocado os esparadrapois, pois um se soltou e gerou um calo num local imprevisto), mas resolvi continuar para completar a meia-maratona. Ao completar a meia-maratona, tive a idéia de ir para o carro de apoio onde estava a enfermeira e me fiz um super curativo nos meus calos. Esperei chegar quando faltasse 7 a 8km para começar a correr no final. Afinal de contas, depois de correr uma maratona e meia, não chegar nos últimos kms seria realmente uma "insanidade".

Foram os momentos mais emocionantes, comecei a correr e aqueles "calos conhecidos" estavam incomodando, mas como já tinha feito o curativo, mantive a postura e segui em frente. Daqui a pouco tem a placa "Canindé 5km". Era hora da caminhada e aproveitamos para tirar uma foto ao lado da placa. Poxa, 5km, é menos que a beira-mar ida e volta, porém eram 5km até a entrada da cidade, e faltavam mais ou menos uns 7km para chegarmos no objetivo final: "A Basílica". Tarcísio e Fernando estavam firme e fortes, e o Tarcísio sugeriu uma parada de 5minutos na Polícia Rodoviária, porém aconteceu o inesperado, ao chegarmos na Polícia Rodoviária, um carro saiu em escolta dos corredores na frente do comboio. Tarcísio disse, agora não vamos mais parar, e decidimos ir em frente, a emoção começou a tomar conta de todos. Estávamos chegando, e no meu caso, eu já nem sentia os "calos". Ao entrar na cidade, fomos recepcionados pelo Secretário de Turismo que entregou para o Tarcísio e Fernando a "Chave da Cidade".

Tem um detalhe interessante nesta corrida. O Fernando gosta muito de correr descalço (até comenta conosco que é melhor), e quando chegou no km10 ele resolveu tirar o tenis (na verdade ele não usa um tenis com amortecimento e sim apenas algo para cobrir os pés), e a partir do km10 começou a correr descalço. Se eu não tivesse visto, não acreditaria. Foi incrível, acho que ele é de outro planeta, correu cerca de 92km descalço, sempre naquela linha branca que separa a pista do acostamento. Acho até que ele chegou com os pés melhores do que o meu J. O Tarcísio também foi um guerreiro, pois desde o início tinha em mente que iria completar os 101km e chegar bem.

Vocês não imaginam a emoção de estar chegando, e eu diria que todos os corredores que participaram da "Corrida da Fé" podem se considerar "Maratonistas". Todos, sem exceção, correram mais de 42km. Estávamos todos radiantes e daqui e pouco chega o carro de som da Paróquia anunciando a chegada dos corredores da "1a. corrida da fé". Não tinha mais nenhuma caminhada, todos estavam correndo a mantendo o ritmo, a felicidade era enorme, e começamos a ficar cada vez mais perto da Basílica, a multidão de pessoas abria espaço para a chegada dos corredores, e de repente, fizemos a última curva a esquerda e ficamos a 50 metros da Basílica.

Neste momento de grande emoção, os amigos corredores, que tinham um sonho, deram aquele sorriso, aquele abraço e fizeram novamente uma grande roda, onde todos juntos, inclusive os que não correram mas foram fundamentais, como todos os motoristas, o massagista e a enfermeira, rezaram em tom alto um "Pai Nosso" de agradecimento.

Em seguida, recebemos uma placa comemorativa da 1ª Corrida da Fé do Vigário de Canindé, em seguida, ele deu uma benção a todos presentes e nos purificou com água benta. Foi outro momento de grande emoção.

No meu caso, apesar de não ter feito nenhuma promessa pelo Davi, recordei todos os momentos que passei neste ano e muito emocionado, chorei e agradeci a Deus por ter nos dado força, confiança e fé. Foi realmente com muita fé que conseguimos chegar! Agradeço muito ao Tarcísio esta oportunidade do momento de graças pela recuperação do pequeno Davi.

Agora em Dezembro irei completar 5 anos que deixei de ser sedentário e iniciei a prática esportiva de corrida. Nunca havia imaginado na minha vida que conseguiria correr 78km.

Obrigado Deus pela saúde do Davi por ter nos dado força e saúde!!!

Para finalizar, gostaria de compartilhar abaixo o texto do Wander sobre a corrida da fé e fazer um agradecimento especial aos organizadores desta corrida: "Tarcísio, Wander e Luizim". Sem o apoio e dedicação de vocês, nada teria acontecido. Foi tudo PERFEITO!!! Ao restante do grupo, gostaria de dizer que todas as brincadeiras, camaradagem, apoio, dedicação, esforço, suor e lágrimas foram fundamentais e não me esquecerei do rosto emocionado de cada um de vocês na chegada. Não posso deixar de comentar do apoio na Execução da Julyana (com suas surpresas e o delicioso café da manhã na casa de sua irmã), das massagens do Genesio, da fisio/pilates e corrida do Everton (seu espírito forest gump no apoio), da moto do Luciano, do Helano, do Jacaré (que ainda correu conosco) e dos outros motoristas e da equipe que trouxe o jantar.

"... se trabalharmos nossos sonhos e limitações, podemos alcançar tudo que tenha um significado importante para nossa vida..." Valmir Nunes

"Quem sobreviver e voltar para casa em segurança acordará todo ano nesse dia, mostrará aos vizinhos as cicatrizes e contará histórias de todos os grandes feitos da batalha. Contará ao filho estas histórias e seremos lembrados deste dia até o final dos tempos. Nós, um bando de poucos e felizes irmãos; porque quem derrama o sangue comigo é meu irmão..." "Discurso da Guerra", Henrique V (Shakespeare).

FOI EMOCIONANTE. SERÁ INESQUECÍVEL!!!

Chegada na Basílica de Canindé (3ª foto)
Em pé: "Genésio, Enéas, Edgy, Luciano, Diogão, Zivaldo, Helano, Fabrício, Simone, Flavia, Haron, Daniel, Claudener e Wander" .
Agachados: "Everton, Jacaré, Luizinho, Fernando, Julyana, Tito e Tarcísio".

Maratona de Chicago

"Essentially, we distinguish ourselves from the rest. If you want to win something, run the 100 meters. If you want to experience something, run a marathon. (Emil Zatopek)

Tudo se iniciou em dezembro de 2005, quando comecei a treinar na STARK. Naquela época, era impossível imaginar que, algum dia, eu iria concretizar o sonho de correr uma maratona (42.195 metros). Em setembro de 2006, concluí a minha primeira Meia Maratona do Rio de Janeiro e, no final do meu relato, comentei: "Superei mais um objetivo e vou começar a definir outros... e, quem sabe, algum dia, não faço uma maratona."

Num domingo, dia 9 de março de 2008, conversei com a minha esposa e decidi fazer a inscrição para a maratona de Chicago. Optei por correr essa maratona, porque acreditava que seria algo magnífico realizar meu sonho, correndo em uma das cinco maiores maratonas do mundo.

Muitas pessoas não têm a noção exata da distância percorrida em uma maratona e, possivelmente, a maioria acha que é impossível correr uma maratona. Realmente, 26.2 milhas ou 42.195 metros é uma grande distância e fica difícil imaginar como é possível correr tudo isto.

O recorde atual da maratona é Haile Gebrselassie, da Etiópia, com o tempo de 02:03:59. Ele completou a maratona de Berlin no dia 28 de setembro de 2008.

Recomendo a quem também deseja correr uma maratona, que comece fazendo logo a inscrição, pois, mesmo com o limite de 45.000 inscrições, a maratona de Chicago encerrou as inscrições três meses antes da corrida. No Brasil, ressalto, como uma maratona interessante, a de Porto Alegre, onde o clima é bem agradável para esse tipo de corrida. No exterior, além de Chicago, as maratonas mais famosas são de Nova York, Berlin, Londres e Boston.

Este ano, tive a oportunidade de fazer uma viagem de estudos, com toda minha família, para Ottawa, no Canadá. Cheguei a Ottawa no dia 15 de junho de 2008, cerca de cinco meses antes da data da maratona. Eu precisava realmente de muita força de vontade para iniciar os treinos preparativos para correr minha primeira maratona. Procurei me dedicar ao máximo aos treinos e consegui seguir bem a planilha enviada pela STARK. Veja mais sobre os meus treinos em: Treinando para a minha primeira Maratona

Depois de meses de treinamento, estava me sentindo preparado e defini uma meta pessoal de correr abaixo de 4 horas. É importante não definir metas impossíveis, mas, pelo meu treinamento, essa seria uma meta possível.

Um dia antes da prova, o Wander, meu cunhado, também da STARK, foi me deixar no aeroporto de Ottawa, de onde parti, rumo a Chicago, com toda minha família (Luciana, Gabriel e Tiago), num avião (importante) 100% brasileiro, o EMBRAER 170. Chegamos a Chicago no início da tarde e fomos logo pegar o kit da corrida. Comecei a perceber a organização da prova na entrega do Kit: sem filas e super rápido. Almoçamos no local de entrega, onde assisti a uma palestra motivacional patrocinada pelo fabricante do Gatorade.

Na noite de sábado, fomos a um restaurante italiano (bice), comer uma deliciosa massa. No jantar, estavam os maratonistas da STARK e foi um momento muito descontraído para todos. Eu estava tranqüilo. Lembro-me que me perguntaram se eu estava nervoso e eu respondi: “é impossível não ficar um pouco nervoso, mas estou bem preparado e vou fazer uma ótima prova”. Estava realmente super motivado e confiante. Isso é fundamental para se fazer uma boa prova.

Ao chegar ao hotel, preparei tudo, coloquei o número na camiseta, separei as meias, o short e o tênis. Na minha “bag” de corrida coloquei sete accel gels e seis thermolytes. Além disso, procurei me hidratar bastante e, antes de dormir, tomei um gatorade e bastante água. No dia da prova, acordei cedo, preparei meu “shake” de proteína e tomei, juntamente com o shake, o endurox Excel. Estava bem confiante e me despedi da Luciana dizendo: “vejo você no final da corrida com a medalha no peito”. Ela disse para eu tomar cuidado, não exagerar, não forçar... e eu falei: “não se preocupe, vai dar tudo certo”.

Fui ao encontro dos meus colegas da STARK e partimos todos confiantes para a linha de largada. O clima estava agradável, mas já sabíamos que seria um dia quente. Havíamos recebido o alerta “amarelo” da prova, informando que realmente seria um dia quente. Eu, que havia treinado num clima mais frio, estava um pouco preocupado, mas como bom cearense, tinha certeza de que iria suportar bem o calor.

No local da largada, despedi-me dos meus colegas desejando boa sorte a todos e fui para o curral D, de onde eu iria largar. Baseado no tempo de meia-maratona ou maratona, as pessoas podem se qualificar para os currais, onde existe um local especifico de largada. No caso de Chicago, ficam 12.000 pessoas nos currais e depois vem o restante dos corredores.

Exatamente às 7h45 eu estava na fila do banheiro. Ouvi algumas pessoas conversarem sobre a prova do ano passado, comentando sobre o calor que fez em 2007. Nessa hora, ouvi o hino oficial dos Estados Unidos. Fui apressado para o local de largada (já eram quase 8h) e exatamente às 8h é dada a largada. A largada da maratona de Chicago. Comecei caminhando e levei alguns minutos para chegar ao marco zero de partida da maratona Eu estava realmente super animado, músicas agitavam a largada e, ao passar pelo tapete, todas as pessoas começavam a correr.

Comecei a prova super tranqüilo, sabendo que não podia forçar muito no começo (essa foi a principal dica que me foi dada por alguns maratonistas). Procurei, então, seguir um ritmo confortável e não me preocupei com os outros corredores. Nos primeiros quilômetros, passamos por alguns túneis e duas coisas me impressionaram: primeiro, a beleza da cidade de Chicago, com prédios enormes e charmosos, e segundo, a quantidade de pessoas com faixas, gritando palavras de incentivo e acompanhando passo a passo algum corredor da família ou amigo.

Em média, havia um posto de hidratação a cada dois quilômetros, e a organização se fazia sentir nos mínimos detalhes. Em cada posto de hidratação, havia gatorade e água. Os voluntários distribuíam os copinhos (pela metade) servindo os corredores. Hidratei-me em cada posto de água e procurei não tomar a bebida correndo. Dava uma pequena caminhada, tomava gatorade, depois pegava água, tomava e voltava a correr. Fiz isso em todos os postos e, em alguns, tomei gel e/ou thermolyte.

Corri os primeiros cinco quilômetros em 27:18, num ritmo de 05:28/km. Era exatamente o que eu queria fazer, começar bem mais leve. Em seguida, comecei a sentir mais confiança e passei pelo Km 10 com o tempo de 53:44, baixando o ritmo para 05:22/km. Procurei manter esse ritmo e concluí a meia-maratona em 01:52:58 (cinco minutos mais rápido do que a primeira meia-maratona que fiz em 2006, no Rio de Janeiro) e com um ritmo médio de 05:21/km.

Depois da meia-maratona, comecei a sentir um pouco a panturrilha direita. Nesse momento, precisei ter muita calma. Eu estava com um tempo muito bom e sabia que ele era bem melhor do que meu objetivo. Resolvi, então, fazer meu primeiro “pit stop”. Parei no primeiro posto de hidratação, fui ao banheiro (estava super hidratado) e fiz alongamento das duas pernas.

Quando cheguei no Km 25, devido a essa parada, meu ritmo médio foi para 05:26/km, e entre os quilômetros 20 e 25, mantive um ritmo de 05:47/km. Para mim, esse “pit stop” foi fundamental, pois, naquele momento, respeitei o limite do meu corpo. Poderia ter forçado e continuado e, quem sabe, no km 30, não tivesse condições de continuar a correr. Além disso, começou a ficar muito quente. Parecia que estava correndo na Beira-Mar em Fortaleza, às 10h da manhã.

Cheguei ao famoso km 30 com o tempo de 02:43:14 e num ritmo médio de 05:26/km. Ainda sentia um pouco a panturrilha, mas procurei manter o ritmo de 05:30/km. Nesse momento, a gente começa a ver pessoas caminhando. Dá vontade de caminhar também, mas a força de vontade é determinante nessa hora: é pensar positivamente que se está bem e que se vai manter o ritmo. Foi o que fiz. Passava por diversos brasileiros no caminho e falava: “vamos lá, está bem perto!”. Após o km 30, começou a surgir o cansaço. Nesse momento, procurei dar uma boa caminhada num posto de água para recuperar as energias.

Ao chegar ao km 35, estava com o tempo de 03:12:19 e meu ritmo médio já era de 05:31/km. Nesse ponto, o fator emocional vale muito mais do que o físico. A gente tem realmente que se superar e, para isso, mantive o rimo até o km 40. Nesses cinco quilômetros, alguns fatos interessantes aconteceram: o primeiro foi sentir o quanto o público incentivava cada vez mais o participante a terminar a prova. Lembro-me de um policial distribuindo garrafinhas de água mineral. Pedi uma, que usei para me refrescar (tomei literalmente um banho de água mineral). O segundo fato foi que avistei um grupo de jovens, no km 39, tomando umas cervejinhas e oferecendo uns copinhos da bebida (como se fosse hidratação) para os corredores. Achei interessante e me imaginei, ao final da prova, também tomando a minha geladinha.

Cheguei ao Km 40 no mesmo ritmo do Km 35. Só faltavam dois quilômetros e 195 metros. Nesse momento, comecei a sentir mais dores nas pernas. Doía tudo, panturrilhas, coxas, joelho, etc., mas estava tão deslumbrado com o final da corrida, que nem me preocupava com as dores, apenas pensava em chegar. O público continuava incentivando e, nos últimos duzentos metros, passei a avistar a linha de chegada. Cheguei super emocionado, pensei muito na minha família, na minha mãe (in memoriam) e em todos aqueles que contribuíram direta e indiretamente para que eu estivesse ali, concretizando um sonho. Realmente, tive a sensação de que aquilo ia mudar a minha vida para sempre. Hoje, posso afirmar que nada é impossível, que podemos conquistar os sonhos e superar os desafios, mas, é claro, temos que ter dedicação, apoio e principalmente força de vontade.

O apoio da minha esposa nessa caminhada foi fundamental, pois deixei, muitas vezes, de ajudá-la nas tarefas do dia-a-dia e com as crianças, para treinar. Lembro dos treinos longos nas manhãs de domingo, quando deixávamos de passear porque eu tinha que treinar. E eram realmente treinos longos. Saía de casa às 7h30 e só retornava por volta das 12h30. Valeu, Lu, esta medalha é para você.

Segue abaixo o percurso que fiz em Chicago: 




Eis o resultado oficial:
Clock Time 3:58:31
Chip Time 3:53:39
Overall Place 5130 / 31347
Gender Place 3947 / 17679
Division Place 761 / 31347
Net 5K 0:27:18
Net 10K 0:53:44
Net 15K 1:19:58
Net 20K 1:46:59
Net Half 1:52:58
Net 25K 2:15:54
Net 30K 2:43:14
Net 35K 3:12:19
Net 40K 3:40:37

Para finalizar, gostaria de relembrar duas frases que tenho guardadas na minha mesa, do empresário Abílio Diniz:
"Cuide de seu corpo: você mora nele."
"O desafio de correr não é querer realizar coisa que ninguém jamais fez antes; mas, sim, continuar a fazer coisas que qualquer um pode fazer, mas que a maioria jamais fará".

Realmente, qualquer um pode correr uma maratona, mas a maioria jamais o fará. Espero que mais amigos corredores tenham a oportunidade que tive de concretizar esse sonho. Agradeço a todos que contribuíram (e contribuem), direta e indiretamente, para que eu esteja com esse novo estilo de vida.

Agradeço à STARK, a todos os instrutores e, em especial, ao João e à Tamara, pelas dicas e palavras de incentivo. Ao meu amigo e sócio Alexandre Menezes, por ter-me incentivado a começar na STARK.

Aos meus colegas de treino (que são pessoas sensacionais), pelo estímulo e camaradagem. Infelizmente, por estar morando no Canadá, não tive a companhia dos colegas de treino da STARK durante o treino para a maratona, mas queria expressar que senti muitas saudades dos treinos em Fortaleza.

Aos meus amigos de corrida canadenses, pela companhia, pela água (um dos corredores deixava garrafinhas de água na metade dos longões), dicas e palavras de incentivos. Queria fazer um registro especial ao meu amigo Paul que, além de providenciar a água, me deu inúmeras dicas sobre a cultura e o povo canadense.

À Dra. Ana Cristina, pelas dicas de nutrição que foram fundamentais para essa minha conquista.

Aos meus pais (in memoriam) que, tenho certeza, estariam orgulhosos de mim. Minha mãe sempre dizia: "Navegar é preciso, viver não é preciso"... Continuo navegando e a minha vida é uma conseqüência disso.

Aos meus familiares (irmãos, tios, parentes), por todo apoio, motivação e ajuda em todos os momentos dessa minha pequena trajetória.

Aos meus sogros, por sempre cuidarem com o maior carinho dos meus filhos e, principalmente, pelo apoio que dão com as crianças, para que eu possa participar de diversas corridas. Nesse momento, tenho que registrar o apoio da minha sogra, no início da nossa viagem ao Canadá, pois sua ajuda foi muito importante para apoiar a Luciana e toda a família no começo da nossa jornada.

Ao meu cunhado Wander, companheiro de treino, pelos incentivos e força.

À minha esposa Luciana, pela compreensão e apoio, pois realmente foi muito difícil para ela morar num país estrangeiro, ter inúmeras atividades e ainda me incentivar sempre a treinar e a lutar para que eu pudesse atingir meu objetivo. No passado, eu tinha dito que, quando as crianças ficassem maiores, ela treinaria comigo na STARK. Bom, hoje ela já treina na STARK e quem sabe em 2009 já corre sua primeira meia-maratona no Rio de Janeiro.

Aos meus filhos, futuros atletas, desejo que vejam na minha atividade esportiva uma fonte de estímulo, para que também tenham uma vida esportiva e saudável.

E, para concluir, gostaria de dizer que tudo é possível se há dedicação, vontade, disciplina e, principalmente, prazer em fazer algo bem feito.

"Se você quer vencer algo ou simplesmente correr, corra os 100 metros. Se você quer uma experiência nova, um novo estilo de vida, corra a maratona.(Emil Zatopek)